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"Nós somos o Fear Factory!"

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Resenha: Fear Factory
por Felipe Motta

Ouvir essa frase depois de quase oito anos de hiato, com certeza, mexe até com quem não é fã. Na verdade pode não haver um significado mais profundo, provavelmente é uma frase usual do frontman Burton C. Bell, mas para os fãs mais devotos da banda, essa afirmação alimenta esperanças e afasta qualquer dúvida. Sim! Os caras estão de volta.
A banda oficializou o retorno aos palcos esse ano, depois de muita polêmica em torno da dupla Dino Cazares e Burton C. Bell, e os outros membros originais contrários ao uso do nome Fear Factory sem a presença deles. Com ou sem os caras, o importante é ter a banda na ativa novamente e melhor, preparando um novo álbum.
Na última sexta feira eles se apresentaram em terras brasileiras pela primeira vez, confesso não ter sentido a falta do batera e baixista originais, o baixista Byron Stroud, membro desde 2004, e o monstro Gene Hoglan mostraram extrema competência, além do mais, a voz e os riffs que colocaram os caras na história do metal estavam lá, transportando os presentes a uma viagem no tempo e tirando a poeira dos ouvidos sedentos.
Para satisfação do público, o repertório foi elaborado para garantir o máximo de delírio possível. A abertura deu o tom da apresentação, “Shock” do álbum “Obsolete” de 1999, colocou o Espaço Lux abaixo. A expressão das pessoas foi mudando da perplexidade para a insanidade, inspirados por um frontman entusiasmado e nitidamente compenetrado, apontando para os fãs e conduzindo o show como um verdadeiro maestro.
Sem direito a respiro, os caras mandaram “Edge Crusher”, “Smasher Devourer” e só pararam depois de “Martyr” do primeiro álbum “Soul of a New Machine” de 1992. Mesmo com seus 40 anos, Burton C. Bell mostrou quanto o tempo só o fez aprimorar – a saber, o Fear Factory foi uma das primeiras bandas a utilizar os dois tipos de vocal, gutural e melódico – seus berros insanos e o timbre de voz singular não sofreram alteração. Não preciso nem mencionar a performance de Dino Cazares, também longe de ser um menino, andava de um lado para o outro do palco, chamava o público, bangeava como um louco, e claro, preciso e matador na guitarra.
Assisti alguns vídeos de apresentações da banda, antes do hiato, e notei a presença de um tecladista no palco. Agora eles não contam mais com o teclado, mesmo assim, tiveram a preocupação em colocar as introduções idênticas as dos álbuns, permitindo aos mais viciados reconhecerem as músicas antes mesmo do primeiro acorde.
No meio da tempestade dos grandes clássicos, aproveitaram para executar ao vivo, a inédita “Powershifter” e pela amostra é possível prever um grande álbum da banda vindo por ai, essa música fará parte de “Mechanize”, previsto para ser lançado no começo de 2010. Sem frescura e literalmente sem pausas, a não ser pelas rápidas trocas de guitarra, o Fear Factory mostrou profissionalismo, paixão e muita energia, fizeram valer cada centavo pago no ingresso, sem colocar fama em pedestal de ouro, pelo contrário, demonstraram respeito aos fãs e um show digno de fortunas cobradas por outros artistas.
Guardaram o sucesso “Replica” para o final e com ela se despediram dos fãs brasileiros, agora com certeza ainda mais ansiosos por material novo. Aos que não conseguiram conferir os caras ao vivo ou não acreditam nesse retorno, posso garantir, eles voltaram para ficar. Diferente de outras “reuniões” externaram razões claras para isso. São músicos talentosos e competentes, que acreditam no seu trabalho e fazem música verdadeira, a parte de qualquer tipo de modismo ou inclinação comercial.
Se o Fear Factory não entrou para a sua lista de shows, trate de colocar, pois é raro presenciar uma banda com quase vinte anos de carreira demonstrar tanta disposição no palco quanto eles, agora nos resta aguardar o lançamento do novo álbum e o retorno dos caras ao país, eu estarei lá com certeza.


Set List:

Shock
Edge Crusher
Smasher Devourer
Martyr
Scapegoat
Crash Test
Linchpin
Powershifter
Resurrection
Demanufacture
Self-Bias Resistor
Zero Signal
Flashpoint
H-K
Pisschrist
Replica

Resenha de Show - Amon Amarth

segunda-feira, 18 de maio de 2009


E aê, Metalsplashers, tudo bem?

Bom, como faz um tempinho que não postamos alguma resenha bacana aqui, segue então a do show do Amon Amarth, que rolou dia 10 de Maio no Citibank Hall.

Aproveitamos para deixar uma dica pra galera que vai assistir ao nosso programa no próximo domingo, dia 24, pois vamos passar uma matéria que fizemos com Johan Hegg, vocal do Amon Amarth!

Se liguem na resenha que o nosso caro Thiago Pires escreveu:


Amon Amarth – Citibank Hall – 10/05/2009

Não é de agora que a cultura viking é temática de bandas de metal. Umas das primeiras foram o Bathory e o Immortal. Depois vieram mais e mais desse gênero. Uma das mais famosas é o Amon Amarth, banda de death metal melódico que, se você perceber, até que os caras realmente se parecem com vikings.

Apesar de não ser de hoje, é raro ver um show desses no Brasil, mas isso mudou e o Amon Amarth pisou pela primeira vez em território brazuca. Tomara que seja um começo, e que a partir de agora, essas maravilhosas bandas que misturam metal com música viking desembarquem mais vezes por aqui.

O Citibank Hall não estava tão lotado. Até porque é um estilo de metal que ainda não caiu nas graças do público brasileiro. Mas quem estava lá realmente era fã do Amon Amarth e cooperou para um show fenomenal da maneira que foi.

Logo que as luzes do Citibank se apagaram, o público foi a delírio, esperando ouvir os cânticos vikings da banda. Logo no início, para não deixar nenhum metalhead parado, o Amon Amarth quebrou tudo com “Twilight of the Thunder God”, seguida por “Free Will Sacrifice”. Pela execução dessas duas já se imaginava a perfeição do show que viria a seguir. Não demorou muito para ecoarem coros de “olé olê olê olê, Amon Amon” ou “ Aaamon Amaarth, Amoon Amarth”. Era claro que a banda não esperava tal recepção calorosa. Também ficou nítido o espanto dos caras. Eles pareciam não saber exatamente o que fazer com essa receptividade dos brasileiros – isso fez coroar ainda mais o show.

O set, que passou por todos os discos da carreira, seguiu por mais de uma hora e meia. Músicas como “Varyags of Miklagaard”, “Live for the Kill”, “Runes to My Memory” e “Guardians of Asgaard” fizeram a alegria dos fãs.

O repertório terminou e eles saíram do palco se despedindo e agradecendo, assim como a maioria das bandas fazem. No entanto, os fãs não arredaram pé e esperaram ansiosamente pelo bis – provavelmente a ansiedade mágica em escutar os dois “hinos” vikings que faltavam, deixou a galera ainda mais agitada. Cinco minutos depois e o Amon Amarth voltou para tocar os clássicos “Cry of the Black Birds” e, a mais famosa, “In Persuit of Vikings”.

Após alguns shows de metal pelo Brasil, esse com certeza ficará na memória como um dos melhores que já vi! Nota 10 é pouco para descrever a apresentação dos suecos do Amon Amarth. Impecável, perfeita e destruidora... Não me vem mais adjetivos para traduzir o espetáculo realizado em cima do palco.

Uma coisa que achei muito animadora é que Johan Hegg, após encerrar o show, não saia do palco. O cara procurava objetos para jogar para a galera, brindava mais e mais vezes com o público... Parecia que não queria acabar o show. Acho que ele queria é ficar no Brasil. Até hoje não sei explicar a diferença que existe do público mundial com o público brasileiro, mas sei que nós, brazucas, sempre conseguimos conquistar qualquer banda que pise aqui. Bem, menos o Megadeth, que prefere a Argentina (vai Metallica! hehehe)...

Portanto, quem perdeu não se preocupe. Com certeza essa não foi a última apresentação deles no Brasil. Também torço para que as outras bandas desse gênero, como Turisas, Korpiklaani e companhia venham a nossa terra mostrar a cultura viking.

Formação:

Johan Hegg (vocal)

Olavi Mikkonen (guitarra)

Johan Söderberg (guitarra)

Ted Lundström (baixo)

Fredrik Andersson (bateria)

Set List:

1. Twilight of the Thunder God

2. Free will Sacrifice

3. Asator

4. Versus the World

5. Varyags of Miklagaard

6. Guardians of Asgaard

7. Last with Pagan Blood

8. Live for the Kill

9. Fate of Norns

10. Masters of War

11.Ride for Vengeance

12. Where Silent Gods Stand Guard

13. Runes to my Memory

14. Death in Fire

15. Valhall Awaits Me

16. Victorious March

Encore:

17.Cry of the Black Birds

18. In Pursuit of Vikings

____________________

E não se esqueçam: Dia 24/05 - Domingo, tem Metalsplash ao Meio-dia!

Além da matéria que fizemos com o Amon Amarth, entrevistaremos a banda Heavenly Kingdom.

Assistam!

Só pra quem é fã: Resenha do Show do Opeth

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Depois de 9 álbuns de estúdio, já estava mais do que na hora da banda sueca Opeth brindar o Brasil com uma apresentação ao vivo. Demorou, mais valeu a pena! Impossível de ser classificada ou rotulada, a banda tem conseguido cada vez mais sucesso por sua genialidade e mistura de ritmos que dão um tom inigualável (e hoje muito copiado) em relação a outras bandas de metal. A mistura de vocais guturais com vocais limpos não é novidade no metal, mas o que difere os suecos das demais bandas que utilizam esta técnica é a perfeita combinação disto com letras cativantes, humildade e bom humor dentro e fora dos palcos, e acima de tudo muita paixão por se reinventar sem medo de experimentar!

Primeiramente, falando sobre o local escolhido para o show, o conhecido do público “forrozeiro” Santana Hall. Os pontos positivos do local ficam por conta da localização (apenas 3 min da estação do metrô mais próxima) e da boa visibilidade do palco estando o espectador em qualquer lugar da casa. Os negativos, pelo menos os observados no show do Opeth, são a falta de cuidado com a manutenção (uma cachoeira começou a cair no palco durante a banda de abertura e goteiras perduraram durante boa parte do show do Opeth) e a marcação de outros shows no mesmo dia de outras “bandas”, o que acabou “apressando” a banda. O balanço final é de uma boa casa e que merece ser palco de outros shows, porem precisa de alguns cuidados urgentemente!

A banda responsável por acender a galera foram os paulistanos do “Of the Archaengel”, com seu dark metal competente com algumas pitadas de doom. Apesar de conseguir arrancar aplausos do público, sua apresentação foi muito prejudicada por problemas técnicos, que deixaram o vocalista Alex Rodrigues visivelmente irritado. Aparentemente sem executar seu set completo, a banda deixa o palco ao som de gritos empolgados de “Opeth, Opeth”, vindos do público que a esta altura já lotava as dependências do Santana Hall. Eis que as 19h20 (40 minutos adiantados em relação ao horário programado), as luzes se apagam e a banda surge no palco, levando a platéia a um estado de êxtase sem igual. Logo de início mandam “Heir Apparent”, segunda música do seu álbum mais recente Watershed (2008), com todos os espectadores ansiosos para ouvir o gutural do vocalista e líder Mikael Åkerfeldt. Entretanto, as pessoas que estavam mais próximas ao palco (inclusive este que vos escreve) relataram o baixo volume dos vocais, que assim permaneceu (com alguma melhora) até o final do show. Logo na seqüência a banda executa o petardo “Ghost of Perdition”, do álbum Ghost Reveries (2005), levando o público ao delírio e arrancando lágrimas de alguns presentes, tamanha a emoção com que levaram a música. Ao fim da mesma, Mikael saúda a platéia e inicia seu show “stand-up comedy”! É incrível como o cara faz piadas o tempo inteiro e consegue arrancar risos da platéia. Alem de um grande músico/compositor, ele é um verdadeiro showman! A seqüência fica por conta de "Godhead's Lament", "Creedence" (com um show do baixista Martin Mendez) e "Hessian Peel”, sendo as duas primeiras músicas mais antigas, porem levadas por competência pelos membros mais recentes Fredrik Åkesson e Martin "Axe" Axenrot. Entre uma música e outra, Mikael emenda piadas sobre futebol, mulheres brasileiras, e até mesmo sobre o heavy metal, fazendo o convite para a platéia abandonar o famoso símbolo “devil’s horns” para adotar o novo “the hook”, que consiste em deixar os dois dedos indicadores em forma de gancho. Sobrou até para a camiseta do próprio Mikael com a foto do filme “Conan” ("Vocês já viram esse filme? É um dos piores que eu já vi"). Um piadista!!

Com uma seqüência avassaladora formada pela pesada "The Lepper Affinity", a cativante "Closure", a épica "Night and the Silent Water" e a estupenda “The Lotus Eater”, a banda encerra o set sendo ovacionada pelo público já exausto! Para o já tradicional bis, a banda consegue arrancar a última gota de energia do público ao tocar “Deliverance”, fazendo o chão do Santana Hall tremer mais uma vez!

Público emocionado e banda idem! O saldo final do show foi super positivo, apesar dos pequenos contratempos técnicos e as goteiras em cima do palco. A banda terminou seu show tendo a certeza de que possui no Brasil um público fiel e apaixonado pela banda e por suas melodias únicas dentro da atual cena metal. Fãs estes que cantaram em alto e bom som todas as músicas da banda e deixaram ecoando os vocais guturais para o show de forró que começaria logo em seguida (hehehe)!!!

Fernando Domingues*


Considerado pela equipe do Metalsplash como o fã brasileiro número 1 do Opeth, Fernando Domingues* escreveu esta resenha exclusivamente para nós, pois ninguém melhor que ele para relatar o maravilhoso show que presenciamos dia 05/04 no Santana Hall!

Valeu, Fernando!!!





Resenha de Show: Claustrofobia e In Flames

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009


Claustrofobia e In Flames (15/02/2009) - Santana Hall

Apesar da forte chuva em São Paulo, os headbangers não abandonaram a fila para entrar no Santana Hall, fila essa que contornava o quarteirão.

A bandeira com os dizeres "Claustrofobia – Metal Maloka" estava estendida à frente do palco e alertava quem estava por vir. A equipe acertava os últimos detalhes, era evidente que ocorria algum problema, pois o público já havia lotado a casa e os caras ainda passavam o som. De qualquer maneira, tratando-se de Claustrofobia, sem dúvida o "bicho ia pegar"!

Sob protestos do frontman Marcão, visivelmente irritado com a (des)organização do evento, o show teve início com direito a efeitos de fumaça e luzes. Os fãs da banda principal, In Flames, ficaram de boca aberta com a porradaria que o Claustrofobia mostrava no palco.

Mesmo nervosos com os problemas ocorridos antes do show, os caras fizeram uma performance raivosa e digna do verdadeiro "Metal Maloka". O vocalista Marcão agradeceu diversas vezes a todos, inclusive aqueles que não conheciam o som da banda. Com direito a cover do Ultraje a Rigor, "Filho da Puta" passou o recado em alto e bom som a quem deveria.

Terminada a apresentação do Claustrofobia, os técnicos rapidamente desmontaram o equipamento e prepararam o palco para os suécos do In Flames. O Motivo? Pasmem!, o In Flames, na noite do último domingo, abriu o show para uma atração inusitada: 'Calcinha Preta', senhores!

Piadas à parte, o show dos caras foi intenso e o som estava impecável mesmo com a acústica da casa não ajudando muito. Anders (vocalista) não parou um minuto sequer, até por que, com um público cantando do começo ao fim, ninguém fica parado.

Ainda sem o guitarrista e membro fundador da banda, Jesper Strömblad, seu substituto temporário, Niclas Engelin, mostrou-se bem à vontade no palco. Anders lembrou a ausência do amigo aos gritos de "JESPER", vindos da galera. Um dos seguranças que vinha sendo mais enérgico com o público, saiu do anonimato quando o vocalista se dirigiu à frente do palco e perguntou seu nome. Paulo, que até então era apenas mais um "inimigo" da diversão, foi defendido por Anders: "Ele está apenas cumprindo sua função". Porém, a galera não aceitou a defesa do líder do In Flames e mandou um belíssimo: "Hey Paulo, vai tomar no...".

A imprensa foi proibida de colher imagens em vídeo. Inclusive, o show foi ameaçado de interrupção, caso imagens fossem gravadas. No entanto, o In Flames se apresentou com muita energia e atitude, para fã nenhum botar defeito.

Apresentação curta e forte, recheada de clássicos como, "Episode 666", "Come Clarity" e "The Mirror's Truth". Para finalizar, Anders pediu ao público que deixasse o show na memória da banda. Segundo o vocalista, aquela seria a última oportunidade para que nós [brasileiros] marcássemos o mapa do In Flames. Com "Take this Life" e "My Sweet Shadow" os suécos se despediram da turnê brasileira.Esperamos que voltem, no entanto, com mais humildade, e que sejam mais educados com a imprensa do Brasil.

FELIPE MOTTA
REPORTÁRIO
METALSPLASH

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