ENTREVISTA COM LIV KRISTINE – LEAVES EYES – Doom, Goth, Metal (Alemanha)

terça-feira, 16 de junho de 2009

por: Maila-Kaarina Riippa - Hard Blast *

É com muita honra que o Hard Blast publica esta entrevista com esta grande artista, Liv Kristine, vocalista principal da banda alemã LEAVES EYES.Com sua banda anterior, THEATRE OF TRAGEDY, Liv criou um novo estilo, um novo conceito de metal que naquela época era chamado de 'Bela e a Fera', fazendo uma mistura de vocais femininos limpos e delicados com o agressivo gutural masculino. O que faz dela tão especial? Ela foi a primeira cantora principal numa banda deste estilo, todos os que haviam feito algo parecido até então usavam as cantoras apenas como backing vocals, fazendo pequenas intervenções nas músicas. Até sua chegada, não havia mulheres vocalistas principais em bandas de doom metal.LEAVES EYES está se preparando para lançar um novo álbum, NJORD, produzido pelo marido de Liv e também companheiro de banda, Alexander Krull e aqui você ficará sabendo tudo a respeito do novo trabalho, além de poder conhecer um pouco mais a respeito desta grande e admirável pessoa, dona de cultura invejável, grandes idéias, inteligência e talento.Espero que vocês curtam!Stay rock!


Maila: Você apareceu para o mundo cantando no Theatre of Tragedy, em 1994 e criou um novo estilo no Heavy Metal, na época chamado de “Bela e a Fera”. Vocês foram os primeiros a misturar o vocal feminino doce e melódico ao gutural masculino, tendo uma mulher não como backing vocal, mas como cantora principal. O primeiro álbum da banda trazia uma mistura de elementos heavy e death metal com o erudito, uma atmosfera totalmente inovadora que influenciou todo o cenário e o surgimento de outras bandas. O que te inspirou a criar este estilo?
Liv: Eu cresci escutando Black Sabbath, Deep Purple e Iron Maiden, um pouco mais tarde descobri Paradise Lost, Anathema, Cathedral e Type ONeagtive, portanto, eu meio que sempre estive envolvida com o metal. Por outro lado, também aprendi a admirar Edvard Grieg, Bach, Tchaikovsky e Mozart desde muito nova. Primeiramente eu formei o Theatre of Tragedy com meu ex-namorado, em 1994, com intenção de criar um trabalho que combinasse a música erudita com o metal. Nós ficamos maravilhados com o que conseguimos fazer, por nossas próprias músicas e, de repente, selos europeus e fãs começaram a prestar atenção em nós. Acredito que fomos os primeiros a criar este tipo de constelação musical, especialmente no que diz respeito ao estilo “bela e a fera”, uma imagem que criou um elemento de contraste no metal. Alguns anos atrás tive uma conversa muito legal com o Tuomas, do Nightwish e ele me disse que o Theatre of Tragedy foi sua grande inspiração para fundar o Nightwish – isso realmente me emocionou!


Maila: Quando você percebeu que mesmo tendo uma voz suave e doce poderia ser uma vocalista de Heavy Metal?
Liv: Bem, eu passava horas cantando Black Sabbath quando era criança, em frente ao espelho segurando uma escova de cabelos para praticar. Fazia isso enquanto as outras crianças estavam brincando no parquinho. Quando eu tinha apenas 7 anos já tinha certeza de que um dia estaria cantando numa banda de metal em grandes palcos. Este era o meu grande desejo e obviamente foi escutado!

Maila: O que atraiu você à música?
Liv: Cantar e compor são coisas que tenho feito desde os meus 5 ou 6 anos de idade. Aprendi a cantar antes de falar direito e tenho certeza de que foi dentro da barriga de minha mãe que comecei a gostar de música. Bebês conseguem escutar de dentro do ventre de suas mães. Meu filho, Leon, nasceu apenas 3 horas depois deu terminar de gravar os vocais de "Lovelorn", do álbum de estréia do Leaves' Eyes. Juro, ele sabia esta música de cor antes mesmo de nascer! Ela tem sobre ele um efeito muito positivo, como o de um sonho bom, ela o acalma.

Maila: Infelizmente não vemos um grande número de mulheres realmente trabalhando como musicistas no cenário rock. Qual a sua opinião em relação a isso? Você sofreu ou ainda sofre preconceito?
Liv: Lita Ford e Joan Jet foram provavelmente as primeiras mulheres no meio metal que se levantaram contra todo o preconceito e o conservadorismo existente. Elas certamente abriram portas para nós, que chegamos uns anos mais tarde. No entanto, depois do lançamento do primeiro álbum do Theatre of Tragedy, alguns jornalistas se sentiram incomodados por conta de minha forte presença nas músicas - “Liv Kristine deveria fazer apenas backing volcals...” - Mesmo assim os fãs votaram em nós como “banda do ano” em um grande número de revistas e isso realmente me deixou muito feliz A verdadeira atitude rock não deveria ter um sexo! Hoje eu tenho muita sorte no que diz respeito aos homens que estão ao meu redor (ex: músicos, jornalistas, fãs, equipe), todos são pessoas maravilhosas. Em alguns momentos eu sou a “chefe”, as vezes até brincamos fazendo competição de abdominais no ônibus da tour ou eu os desafio na natação ou para uma corrida. Em outros momentos, em casa, no estúdio, adoro cozinhar para eles e estou sempre pronta para ajudar se alguém precisa conversar. Eles são como minha família e as vezes até mandam um “obrigado mamãe.”

Maila: Fazendo um breve histórico de sua carreira, pensando nos principais acontecimentos, o que você teria a dizer?
Liv: Eu diria que trabalhei muito duro, mas também tive muita sorte. Desde o início sempre obtive muito apoio por parte dos fãs e dos amigos. Esta foi a grande essência que me deu força para seguir em frente e continuar amando a música, mesmo nos momentos mais difíceis. Um selo, inclusive, tentou fazer com que eu parasse de cantar indo aos tribunais e fez de tudo para destruir minha personalidade como cantora. Depois que isso aconteceu pude perceber e enxergar o quão cruel o mercado musical é e como tudo gira em torno de dinheiro. Algumas pessoas obviamente me viram como uma garota norueguesa novinha, boazinha, amigável e ingênua, com um grande cifrão estampado na testa. Hoje eu canto, escrevo minhas letras e componho apenas o que vem de dentro de mim, para meus fãs, meus amigos e para mim mesma. Chegar a este nível é um bônus enorme, mas antes de qualquer coisa eu preciso estar em equilíbrio comigo mesma e me sentir bem em relação ao que estou fazendo.

Maila: Fale um pouco sobre os melhores momentos de sua carreira até agora. Coisas inesquecíveis.
Liv: O lançamento do primeiro álbum do Theatre of Tragedy e alguns anos mais tarde, as gravações de "Lovelorn", o debút do Leaves Eyes, durante minha gravidez.Um dos melhores momentos também foi ter sido indicada para o Grammy Americano pela música Nymphetamine, que gravei em dueto com o Cradle of Filth.

Maila: Qual a rotina de Liv Kristine, mãe, esposa e rockstar?
Liv: Bem, normalmente meu dias começam com uma xícara de chá, então eu saio pra correr na floresta e no caminho de volta passo na padaria para comprar algumas coisas. Chegando em casa acordo Alexander e Leon e tomamos café-da-manhã juntos. Trabalho no estúdio até a hora de pegar meu filho na escola, então faço o jantar para todos e passamos o resto do tempo juntos tocando, brincando, visitamos amigos, saímos para nadar, tocamos bateria... Lavar roupa, limpar a casa e o estúdio são parte de minhas tarefas diárias. Sair para fazer compras é algo que tenho pouco tempo para fazer, normalmente faço isso durante a tour quando sinto necessidade de mudar um pouco o clima.
Maila: Quais conselhos você daria aos que pretendem seguir seus passos?
Liv: Ouçam seus corações e seus desejos! Escutem sua voz interior quando ela lhes disser em quem acreditar ou de quem manter distância. Mas mantenham-se sempre abertos a levar conselhos em consideração, principalmente quando eles vierem de pessoas honestas e amigáveis.
Maila: Quais bandas ou artistas solo você mais admira? (Não precisa ser rock).
Liv: Ozzy, Madonna, Liza Gerrard, Enya, Dio, Devon Graves (Dead SoulTribe) e Tarja.

Maila: Você teria uma playlist com um top 5?
Liv: As trilhas sonoras de Madagascar 1 e 2, a trilha de "Chocolat", os últimos álbuns de Midnattsol e Lamb of God.
Maila: Leaves Eyes está agora gravando um novo álbum. Quando ele será lançado? O que você pode nos dizer sobre ele?
Liv: O nome será "Njord" (produzido por meu marido: Alexander Krull) e será mais pesado e mais intenso do que qualquer produção anterior da qual eu tenha feito parte. Tecnicamente, sempre temos novas idéias e novos focos. Temos nosso próprio estúdio e por isso podemos nos especializar bem na parte técnica em tudo o que diz respeito ao álbum e a produções de DVD."Njord" terá um som mais bombástico e ao mesmo tempo mais delicado que "Vinland Saga", pois a técnica nos permite isso. Nós gravamos as partes clássicas em Minsk (Lingua Mortis, supervisionados por VictorSmolkski), trabalhamos com um coral completo (Al Dente) para as partes de coro além de grandes artistas fazendo participações especiais, solando instrumentos específicos como gaita irlandesa e flautin. As letras foram escritas em eh...8 línguas (inglês, alemão do centro-norte, inglês arcaico, gaélico, norueguês, islandês, francês e um idioma fictício que criamos)...Eu mesma estudei um pouco de francês para ser capaz de escrever uma letra no idioma. Sim, "Njord" teve um processo de gravação e composição muito mais complexo do que o álbum anterior, mas isso faz parte de nosso trabalho como artistas e compositores – buscamos sempre melhorar! Em relação ao conceito, usei duas fontes principais para escrever as letras: a mitologia nórdica e a história dos Vikings. As letras basicamente são em torno de personagens da mitologia nórdica (ex: Njord, Fröya's Theme, Nine Wave Maidens, Ragnarok) ou sobre lugares e acontecimentos históricos (ex:. Scarborough, Fair, The Battle of Maldon, Emerald Island, Irish Rain, Les Champs de Lavande). Foi por isso que achei necessário lidar com todos estes idiomas diferentes. "Vinland Saga" é baseado no descobrimento da América por Leif Eiriksson, e mesmo em relação ao EP, Legend Land, que veio logo em seguida,"Njord"possui um conceito muito mais abrangente.
Maila: O verão está chegando na Europa e a época de shows e festivais também. Vocês vão sair em tour?
Liv: Estamos pensando se iniciaremos uma tour pela Europa ou pela América. Mas de qualquer forma pensamos numa tour para o outono deste ano. Eu acabei de dar início as gravações de meu álbum solo e gostaria de terminá-lo antes.
Maila: Por favor, deixe-nos uma mensagem!
Liv: Muito obrigada a todos vocês por estarem ao meu lado durante todos esses anos!
O Hard Blast agradece a Liv por sua simpatia e a Ben Aichelburg da Napalm Records por intermediar a entevista e por todo o suporte dado ao Hard Blast.
Fotos: Divulgação
*Entrevista gentilmente cedida à nossa produção.

3 Metalsplashers:

Gorgonautus disse...

Bem interessante a entrevista.........

"Arteathrash" disse...

E no programa Metalsplash do dia 21/06 teremos entrevista com a banda Skaldic Soul e agora sim, finalmente, a matéria com Tommy Lindal (ex-Theatre of Tragedy)
não percam!

ethrash disse...

ronaldo!

http://www.youtube.com/watch?v=nziI141oyJE